10/09/2013

Excertos de uma palestra de Yuri Alexandrovitch Bezmenov (Tomas Schuman)

Excertos de uma palestra de Yuri Alexandrovitch Bezmenov (Tomas Schuman) (1939 - 1993), proferida na Summit University, em Los Angeles, Califórnia, em 1983

«Subversão, na terminologia soviética, significa sempre uma atividade distratora e agressiva, visando destruir o país, nação ou área geográfica do seu inimigo. (...)

Subversor é um estudante que vem para intercâmbio, um diplomata, um ator, um artista, um jornalista… [= um idiota útil] (...)

A subversão só pode ser bem sucedida quando o iniciador, o ator, o agente da subversão, tem um alvo que responde. (...)

O primeiro ser humano que formulou as táticas de subversão foi um filósofo chinês chamado Sun Tzu (500 a. C.). (...) E ele disse (...) que, para implementar política estatal (...), é mais contraprodutivo, bárbaro e ineficiente lutar num campo de batalha. (...)

A mais alta arte da guerra é não chegar a lutar; mas subverter qualquer coisa de valor no país do seu inimigo, até ao momento em que a perceção da realidade do seu inimigo deteriora a ponto de ele não o perceber a si como um inimigo e em que o seu sistema, a sua civilização e as suas ambições parecem ao seu inimigo uma alternativa se não desejável, então ao menos factível. (...)

O básico da subversão está sendo ensinado a todo o aluno da escola do KGB, na União Soviética, e a oficiais de academias militares. (...)

O que é subversão?

Basicamente, consiste em 4 períodos, temporalmente.»

I. DESMORALIZAÇÃO;

II. DESESTABILIZAÇÃO;

III. CRISE

(Guerra civil ou invasão)

IV. NORMALIZAÇÃO.

I. DESMORALIZAÇÃO

«Leva (digamos) de 15 a 20 anos para desmoralizar uma sociedade. (...) Esse é o tempo suficiente para educar uma geração de estudantes ou crianças. (...) Um tempo de vida de uma pessoa, de um ser humano, que é dedicado a estudar, a formar a mentalidade, ideologia, personalidade. (...)

Inclui: Influenciar, ou (por vários métodos) infiltração, métodos de propaganda, contactos diretos (...), várias áreas onde a opinião pública é formada ou moldada. (...)

Há, obviamente, em toda a sociedade, pessoas que são contra a sociedade. Podem ser criminosos comuns, em discordância da política estatal; inimigos declarados; simples personalidades psicóticas que são contra tudo... E, finalmente, há o pequeno grupo de agentes de uma nação estrangeira, comprados, subvertidos, recrutados. No momento em que todos estes movimentos estiverem direcionados numa direção, esta é a hora de agarrar este movimento e continuá-lo até que o movimento force a sociedade inteira ao colapso, à crise. (...) Não paramos um inimigo; deixamo-lo ir, ajudamo-lo a ir na direção em que nós queremos que eles vão.

Então, na etapa de desmoralização, obviamente há tendências em cada sociedade, em cada país, que estão indo na direção oposta aos princípios e valores morais básicos. Tirar vantagem destes movimentos, faturar em cima deles é o maior propósito do originador da subversão.»

I. DESMORALIZAÇÃO

1. Religião;

2. Educação;

3. Vida social;

4. Estrutura de poder;

5. Relações de trabalho — sindicatos;

6. Lei e ordem.

«Estas são as áreas de aplicação da subversão. (...)

1. Religião - Destrua-a. Ridicularize-a. Substitua-a por várias seitas, cultos, que levam a atenção das pessoas, a fé (seja ela ingénua, primitiva... não importa muito), desde que o dogma religioso basicamente aceite seja erodido devagar e levado para longe do propósito supremo da religião — [que é] manter as pessoas em contacto com o Ser Supremo. (...) Logo, substitua as organizações religiosas aceites, respeitadas, por organizações falsas. Distraia a atenção das pessoas da fé real e atraia-as a várias fés diferentes.

2. Educação - Distraia-os de aprender algo que seja construtivo, pragmático, eficiente. Em vez de matemática, física, línguas estrangeiras, química…, ensine-lhes a história do conflito urbano, comida natural, economia doméstica, a sua sexualidade…, qualquer coisa, desde que afaste.

3. Vida social - Substitua as instituições e organizações tradicionalmente estabelecidas por instituições falsas. Tire a iniciativa às pessoas. Tire a responsabilidade às ligações naturalmente estabelecidas entre indivíduos, grupos de indivíduos e a sociedade como um todo e substitua-as por órgãos artificialmente e burocraticamente controlados. Em vez de vida social e amizade entre vizinhos, estabeleça instituições de assistentes sociais — pessoas que estão na folha de pagamento de quem? Sociedade? Não: Burocracia! (...) Para longe dos elos naturais.

4. Estrutura de poder - Os órgãos naturais de administração que tradicionalmente são eleitos pelo povo em geral ou indicados pelos líderes eleitos da sociedade são substituídos ativamente por órgãos artificiais: órgãos de pessoas, grupos de pessoas que ninguém elegeu jamais! (...)

Um destes grupos é a comunicação social. Quem os elegeu? Como podem eles ter tanto poder, poder quase monopolista sobre a sua mente?! Eles podem violentar a sua mente! (...) Eles têm ousadia de dizer o que é bom ou mau para o Presidente — eleito por vocês — e para o seu Governo. (...) Não há mais concorrência. Estrutura de poder é lentamente erodida pelos órgãos e grupos de pessoas que não têm nem qualificação, nem a vontade do povo para mantê-los no poder, e ainda assim eles têm poder. (...)

6. Fiscalização, lei e ordem - A organização está sendo erodida. (...) Se virem os filmes antigos e os filmes novos, verão que, nos filmes novos, um polícia, um oficial do exército americano, parece burro, raivoso, psicótico, paranoico. E o criminoso parece porreiro; (...) fuma maconha e injeta qualquer droga; mas, basicamente, é um ser humano bonzinho. É criativo. E é improdutivo só porque a sociedade o oprime; enquanto um general do Pentágono é sempre, por definição, um burro, um maníaco guerreiro. O polícia é um porco, um polícia rude, abusa do poder... (...) O ódio, a desconfiança para com as pessoas que vos devem proteger e fazem cumprir a lei e a ordem. Relativismo moral! (...)

Uma substituição lenta dos princípios morais básicos, em que um criminoso não é bem um criminoso: é um réu. Mesmo que a sua culpa esteja provada, há ainda uma dúvida. (...)

5. Relações trabalhistas - Nesta etapa, dentro de 15 a 20 anos, destruímos os elos tradicionalmente estabelecidos de negociação entre patrão e empregado. (...) É a morte da troca natural, a morte da negociação natural.

Os sindicatos foram estabelecidos há cem anos atrás. O objetivo era melhorar as condições de trabalho e proteger os direitos dos trabalhadores daqueles patrões que estavam a abusar do seu direito porque tinham mais dinheiro. Objetivamente, naquela época, inicialmente o movimento dos sindicatos funcionou de facto. O que vemos agora é que o processo de negociação não está mais a resultar no acordo que leva diretamente à melhoria de condições de trabalho e aumento de salário. O que vemos é que, após cada greve prolongada, os trabalhadores perdem (...), não conseguem recuperar por causa da inflação e do tempo perdido. Mais que isso: Milhões de pessoas sofrem com aquela greve, porque agora a economia é interdependente, está entrelaçada como um único corpo. (...) Quem ganhou com isto? Os líderes do sindicato. Qual é o motivo da greve? (...) IDEOLOGIA! Para mostrar a esses capitalistas! (...)

Sempre que um sindicato entra em greve, temos um influxo de propaganda, meios de comunicação social, disseminação ideológica: 'O direito dos trabalhadores'! (...) Direito de quem? Dos trabalhadores? Não! A única liberdade do trabalhador (...) é-lhe tirada (...) pelo chefe do sindicato. É dado poder ilimitado, responsabilidade... (...)

Fui forçado a acreditar pela comunicação social, pelas empresas, por agências publicitárias que preciso de mais e mais e mais! Já viram alguma publicidade na TV para consumir menos? Não! De modo nenhum! (...)

Atolávamos editoras, organizações estudantis, grupos religiosos, com literatura de luta de classes, se não diretamente com propaganda marxista-leninista, então propaganda de aspirações legítimas da classe operária: melhoria de vida, igualdade... (...)

Construímos a nossa sociedade sobre o princípio de igualdade. Vocês dizem: 'As pessoas são iguais'. Sabem que é falso, é uma mentira! (...) Se as fazemos iguais à força, se colocarmos o princípio da igualdade na base da nossa estrutura sociopolítica, é o mesmo que construir uma casa na areia. Cedo ou tarde, ela vai desmoronar; e é exatamente o que acontece. (...) Mas sabemos perfeitamente bem que, mesmo com as melhores intenções, as pessoas não poderiam ser iguais. (...) E o sistema de propaganda soviética ajuda-nos a acreditar que igualdade é algo desejável. (...) E a igualdade absoluta existe na União Soviética. 'Igualdade': Toda a gente está igualmente na lama, exceto algumas pessoas que são mais iguais que as outras, no Politburo.

Então, no momento em que vocês levam um país ao ponto de quase total desmoralização, em que nada funciona mais, quando não têm a certeza do que é certo ou errado, bom ou mau, quando não há divisão entre o bem e o mal, (...) o próximo passo é desestabilização.»

II. DESESTABILIZAÇÃO

«Desestabilizar todas as relações, todas as instituições e organizações aceites no país do seu inimigo.

(...) Então, a área de aplicação aqui estreita-se para»:

1. Economia — relações trabalhistas;

2. Lei e ordem e militares;

3. Comunicação social, «mas um pouco diferente. (...)

1. Economia - A radicalização do processo de negociação. (...) Na etapa de desestabilização, não chegamos a um acordo nem dentro de uma família. O marido e a mulher não poderiam descobrir o que é melhor. (...) É impossível chegar a um acordo (...) construtivo entre vizinhos. (...) Eles não entram em acordo: Vão para um tribunal ou coisa assim.

Radicalização de relações humanas, sem mais acordo. Luta, luta, luta! (...) As relações entre professores e alunos em escolas e universidades: luta! As relações, na esfera económica, entre empregados e patrões são mais radicalizadas: Não há mais aceitação da legitimidade das exigências dos trabalhadores. (...) Quanto mais difícil a luta, melhor, mais heroicos eles parecem. (...) Os embates violentos entre passageiros, piquetes e os grevistas são apresentados como algo normal. (...) Radicalização, militarização, às vezes (...).

2. Lei e ordem - Também é empurrada para áreas em que as pessoas antes resolviam as suas diferenças pacificamente e legitimamente. Agora, estamos a ficar com esses casos judiciais nos casos mais irrelevantes. Não podemos mais resolver os nossos problemas. A sociedade como um todo fica cada vez mais antagónica entre indivíduos, grupos de indivíduos e a sociedade como um todo.

3. A comunicação social coloca-se em oposição à sociedade em geral, como um todo, separada, alienada.

(...) Os adormecidos acordam! (...) Agem proeminentemente. Incluem-se ativamente no processo político. De repente, vemos um homossexual... (...) Exige reconhecimento, respeito, direitos humanos, e junta um grande grupo de pessoas. (...) E há choques violentos entre ele e a polícia, o grupo dele e pessoas comuns. (...) Não importa onde está a linha divisória, desde que este grupo entre em choque antagónico, às vezes militarmente, às vezes com armas de fogo. (...)

Os adormecidos (...) tornam-se líderes do processo de desestabilização. (...) A pessoa que toma conta já está aqui! É um cidadão respeitado (...). Às vezes, recebe dinheiro de várias fundações para a sua luta legítima a favor de (sei lá!) direitos humanos, direito das mulheres, (...) seja o que for.»

III. CRISE

«O processo de desestabilização, normalmente, leva diretamente ao processo de crise. (...) O processo começa quando os órgãos legítimos de poder, a estrutura social, desmoronam, não podem funcionar mais. E então nós temos órgãos artificiais injetados na sociedade; tais como comités não eleitos (...); assistentes sociais, que não são eleitos pelo povo; comunicação social, que são os senhores autoinvestidos da sua opinião; alguns grupos estranhos, que alegam que sabem como guiar a sociedade para a frente. Em geral, não sabem. Tudo o que eles querem saber é como coletar doações e vender a sua própria ideologia misturada, misto de religião e ideologia. Aqui, temos todos estes órgãos artificiais exigindo poder. Se o poder lhes é negado, tomam-no à força. (...)

A crise é quando a sociedade não pode mais funcionar produtivamente: desmorona. (...) Portanto, a população como um todo anda a procurar um salvador. (...) Os trabalhadores dizem: 'Temos família para alimentar! Vamos ter um Governo forte, talvez um Governo socialista, centralizado, onde alguém coloque os patrões nos seus lugares e nos deixe trabalhar! Estamos cansados de greve e de perder horas extra e todas essas coisas. (...) Um líder, um salvador, é necessário.' A população já está irritada e cansada. (...)

Ou uma nação estrangeira vem; ou o grupo local de esquerdistas, marxistas... não importa como eles se chamam (...). Vem um salvador e diz: 'Eu guiar-vos-ei!'

Então, nós temos duas alternativas aqui: guerra civil e invasão.»

IV. NORMALIZAÇÃO [= ditadura]

«'O país está normalizado.' (...) Normal. Normalização.

Nesta etapa, os governantes autoinvestidos da sociedade não precisam de mais nenhuma revolução, não precisam de mais nenhum radicalismo. Então, este é o reverso da desestabilização; basicamente, é estabilizar o país à força.

Então, todos os adormecidos, e ativistas, e assistentes sociais, e 'liberais', e homossexuais, e professores, e marxistas, e leninistas… são eliminados; fisicamente, às vezes. Já fizeram o serviço deles. Não são mais necessários. Os novos governantes precisam de estabilidade para explorar a nação, para explorar o país, tirar vantagens da vitória.

Então, chega de revolucionários, (...) chega de revoluções, por favor! Normalização, agora. De agora em diante, chega de greves, chega de homossexuais, (...). Ponto final! Boa e sólida liberdade proletária democrática!... E pronto.»

(Yuri Alexandrovitch Bezmenov)


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