10/09/2013

Socialismo utópico

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Socialismo utópico

Os teóricos do socialismo utópico têm ideias diferentes e propõem soluções diversas.

Alguns dados comuns:

  • Ataque à religião (tradicional);
  • Reformismo / progressismo - Tentativas de reformar a sociedade e de implantar uma nova ordem social, destruindo a ordem tradicional;
  • Tentativas filantrópicas e paternalistas - Melhoria de alojamentos e higiene, construção de escolas, aumento de salários, redução de horas de trabalho…

François Marie Charles Fourier (7/4/1772 - 10/10/1837).

  • Criador das falanges ou falanstérios, grandes construções habitadas por comunidades autossuficientes (até 1600 pessoas), onde cada um trabalharia conformes as suas paixões e vocações. (Ideia inspirada nos mosteiros!)
    • Todos esses projetos falharam. Em geral, só funcionavam 2 ou 3 anos no máximo!
    • Inspiração para os kibutzim, empreendimentos agrícolas coletivizados israelitas (que já se renderam ao capitalismo!).

Pierre-Joseph Proudhon (15/1/1809 - 19/1/1865).

  • Anarquista: defendia uma sociedade sem autoridade.
    • «Aquele que puser as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu declaro-o meu inimigo!»
    • «Propriedade é roubo».
    • «Anarquia é ordem».

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (30/5/1814 - 1/7/1876).

  • Foi um dos principais expoentes do anarquismo, em meados do século XIX.
    • «A paixão pela destruição é uma paixão criativa.»
    • «Se você pegar no mais ardente revolucionário e o investir de poder absoluto, dentro de um ano ele será pior que o próprio Czar.»

Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon (17/10/1760 - 19/5/1825).

  • Previa uma sociedade formada basicamente por cientistas e industriais.
  • Lema: «A cada um segundo a sua capacidade, a cada capacidade segundo o seu trabalho».

Robert Owen (14/5/1771 - 17/11/1858).

  • Fundador da New Harmony (Nova Harmonia), nos Estados Unidos, uma experiência de vida comunitária rapidamente fracassada.
  • Defendia que as pessoas são produtos da hereditariedade e do ambiente, não sendo responsáveis pela sua vontade nem pelas suas ações, devendo ser modificadas pela escola.

Socialismo «científico»

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Socialismo «científico»

(Karl Marx e Friedrich Engels)


Karl Heinrich Marx (5/5/1818 - 14/3/1883).

  • Máxima referência ideológica do socialismo.
  • Judeu satanista, «monstro notável (…), cheio de ira e como se quisesse agarrar a vasta tenda do céu e lançá-la sobre a terra. Estende os braços no ar; o punho perverso está fechado; enfurece-se sem cessar, como se dez mil demónios fossem agarrá-lo pelos cabelos». (F. Engels)
  • Devido ao seu caráter profundamente revolucionário, criava conflitos ideológicos com as autoridades e era expulso dum país para outro.

«Desejo vingar-me d'Aquele que governa lá em cima.»


Friedrich Engels (28/11/1820 - 5/8/1895).

  • Colaborador de Karl Marx.
  • Começou por ser um jovem muito religioso, mas, acabando por perder a fé, foi virado para o socialismo por Moses Hess (21/6/1812 - 6/4/1875). (O mesmo Moses Hess também já tinha virado Karl Marx para o socialismo.)

Resumo da ideologia marxiana

  • Materialismo dialético: tese + antítese = síntese;
  • Materialismo histórico: História como luta de classes, oposição entre classes opressoras e classes oprimidas;
  • Revolução violenta, para implantar a ditadura do proletariado e alcançar depois o comunismo universal (sociedade futura sem classes e propriedade coletiva dos meios de produção);
  • Fim da alienação humana;
  • Teoria da práxis;
  • Superestrutura e infraestrutura;
  • Valor supremo do trabalho.
Superestrutura

Estrutura jurídico-política, representada pelo Estado e pelo direito;

Estrutura ideológica, referente às formas de consciência social, como a religião, a educação, a filosofia, a ciência, a arte, as leis.

Infraestrutura Sociedade civil - Base material de produção.

Karl Marx (2)

Pressuposto darwinista do socialismo

«Já alguns anos antes de 1845 estávamos ambos [Marx e Engels] a aproximar-nos gradualmente desta proposição que, na minha opinião, está destinada a fazer pela história o que a teoria de Darwin fez pela biologia.»

«Na minha maneira de ver, está vocacionado para fundamentar na ciência da história o mesmo progresso que a teoria de Darwin fundamentou na ciência da natureza».

(F. Engels, Prefácio e notas de rodapé do Manifesto do Partido Comunista)

«As classes e as raças demasiadamente fracas para conduzir as novas condições de vida devem deixar de existir.»

«Devem perecer no holocausto revolucionário.»

(Karl Marx, in Jornal do Povo e Jornal da História das Ideias)


«A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. (...) Em suma, opressores e oprimidos estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta. (...)

A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado. (...)

A burguesia moderna é ela própria o produto de um longo curso de desenvolvimento, de uma série de revolucionamentos no modo de produção e de intercâmbio.

Cada um destes estádios de desenvolvimento da burguesia foi acompanhado de um correspondente progresso político. (...)

O moderno poder de Estado é apenas uma comissão que administra os negócios comunitários de toda a classe burguesa. (...)

A burguesia, pela sua exploração do mercado mundial, configurou de um modo cosmopolita a produção e o consumo de todos os países. (...) Pelo rápido melhoramento de todos os instrumentos de produção, pelas comunicações infinitamente facilitadas, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização. (...) Numa palavra, ela cria para si um mundo à sua própria imagem. (...)

Para o seu lugar entrou a livre concorrência, com a constituição social e política a ela adequada, com a dominação económica e política da classe burguesa. (...)

Basta mencionar as crises comerciais que, na sua recorrência periódica, põem em questão (...) a existência de toda a sociedade burguesa. (...)

Nas crises irrompe uma epidemia social (...). Porque ela possui demasiada civilização, demasiados meios de vida, demasiada indústria, demasiado comércio. (...)

E como a burguesia triunfa das crises? Por um lado, pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas; por outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. (...)

A concorrência crescente dos burgueses entre si e as crises comerciais que daqui decorrem tornam cada vez mais oscilante o salário dos operários; o melhoramento incessante da maquinaria, que cada vez se desenvolve mais depressa, torna toda a sua posição na vida cada vez mais insegura. (...)

Centralizar as muitas lutas locais, por toda a parte com o mesmo caráter, numa luta nacional, numa luta de classes.

Mas toda a luta de classes é uma luta política. (...)

Os estados médios (...) combatem a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como estados médios. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são reacionários: procuram fazer andar para trás a roda da História. (...)

O proletário está desprovido de propriedade (...). O trabalho industrial moderno, a subjugação moderna ao capital (...) tirou-lhe todo o caráter nacional. As leis, a moral, a religião são para ele outros tantos preconceitos burgueses, atrás dos quais se escondem outros tantos interesses burgueses. (...)

O proletariado, a camada mais baixa da sociedade atual, não pode elevar-se, não pode endireitar-se, sem fazer ir pelos ares toda a superestrutura das camadas que formam a sociedade oficial. (...)

Seguimos de perto a guerra civil mais ou menos oculta no seio da sociedade existente até ao ponto em que rebenta numa revolução aberta, e o proletariado, pelo derrube violento da burguesia, funda a sua dominação. (...)

A condição essencial para a existência e para a dominação da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos de privados, a formação e multiplicação do capital. (...)

O objetivo mais próximo dos comunistas é o mesmo do que o de todos os restantes partidos proletários: formação do proletariado em classe, derrube da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado. (...)

Abolição da propriedade burguesa. (...) Supressão da propriedade privada.

O capital é um produto comunitário (...); não é, portanto, um poder pessoal; é um poder social, (...) pertencente a todos os membros da sociedade. (...)

O cessar da cultura de classe é idêntico ao cessar da cultura em geral. (...)

Supressão da família! (...) Sobre que assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. (...)

Suprimir a exploração das crianças pelos pais (...).

À medida que é suprimida a exploração de um indivíduo por outro, é suprimida a exploração de uma nação por outra. Com a oposição das classes no interior da nação cai a posição hostil das nações entre si. (...)

Que prova a história das ideias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As ideias dominantes de um tempo foram sempre apenas as ideias da classe dominante. (...) O comunismo abole as verdades eternas, abole a religião, a moral. (...)

1. Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado.

2. Pesado imposto progressivo.

3. Abolição do direito de herança.

4. Confiscação da propriedade de todos os emigrantes e rebeldes.

5. Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo.

6. Centralização do sistema de transportes nas mãos do Estado.

7. Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário.

8. Obrigatoriedade do trabalho para todos; instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura.

9. Unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo.

10. Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas na sua forma hodierna. Unificação da educação com a produção material, etc..

Desaparecidas no curso de desenvolvimento as diferenças de classes e concentrada toda a produção nas mãos dos indivíduos associados, o poder público perde o caráter político. Em sentido próprio, o poder político é o poder organizado de uma classe para a opressão de uma outra. Se o proletariado na luta contra a burguesia necessariamente se unifica em classe, por uma revolução se faz classe dominante e, como classe dominante, suprime violentamente as velhas relações de produção; então suprime juntamente com estas relações de produção as condições de existência da oposição de classes, as classes em geral, e, com isto, a sua própria dominação como classe.

(...) Por toda a parte os comunistas apoiam todo o movimento revolucionário contra as situações sociais e políticas existentes. (...) Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento de toda a ordem social até aqui. Podem as classes dominantes tremer ante uma revolução comunista! Nela, os proletários nada têm a perder a não ser as suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.

Proletários de todos os países, uni-vos!»

(Karl Marx e F. Engels, Manifesto do Partido Comunista)

«O proletário só pode libertar-se suprimindo toda a propriedade privada em geral. (...)

Na situação da indústria têm-se produzido continuamente oscilações entre períodos de prosperidade e períodos de crise, e quase regularmente (...).

Torna-se imprescindível uma organização completamente nova da sociedade em que a produção industrial não seja mais dirigida por uns ou outros fabricantes em competição uns com os outros, mas por toda a sociedade sob um determinado plano e em conformidade com as necessidades de todos os membros da sociedade. (...)

Assim, a propriedade privada deve também ser abolida e ocuparão o seu lugar o usufruto coletivo de todos os instrumentos de produção e distribuição dos produtos de comum acordo, o que se chama comunidade de bens. (...)

[A revolução] estabelecerá, em primeiro lugar, um regime democrático e, portanto, diretamente ou indiretamente, a dominação política do proletariado. (...)

1) Restrição da propriedade privada mediante o imposto progressivo, o alto imposto sobre as heranças, a abolição do direito de herança nas linhas laterais (irmãos, sobrinhos, etc.), empréstimos forçados, etc..

2) Expropriação gradual dos proprietários agrícolas, fabricantes, proprietários de ferrovias e navios, em parte com a ajuda da concorrência por parte da indústria estatal, em parte, de modo direto, com indemnização alocada.

3) Confisco dos bens de todos os emigrantes e rebeldes contra a maioria do povo.

4) Organização do trabalho e ocupação dos proletários em fazendas, fábricas e oficinas nacionais, com que se eliminará a concorrência entre os trabalhadores, e os fabricantes que ficam terão de pagar salários tão altos como o Estado.

5) Igual dever obrigatório de trabalho para todos os membros da sociedade até à completa abolição da propriedade privada. Formação de exércitos industriais, especialmente para a agricultura.

6) Centralização dos créditos e da banca nas mãos do Estado através do banco nacional, com capital do Estado. Encerramento de todos os bancos privados.

7) Aumento do número de fábricas, oficinas, ferrovias e navios nacionais, cultivo de todas as terras que estão sem lavrar e melhoria do cultivo das outras terras em consonância com o aumento dos capitais e do número de trabalhadores de que a nação dispõe.

8) Educação de todas as crianças em estabelecimentos estatais e a cargo do Estado, a partir do momento em que podem dispensar o cuidado da mãe. Combinar a educação com o trabalho fabril.

9) Construção de grandes palácios nas fazendas do Estado para que sirvam de habitação às comunas de cidadãos que trabalham na indústria e na agricultura e unam as vantagens da vida na cidade e no campo, evitando assim o caráter unilateral e os defeitos de uma e de outra.

10) Destruição de todas as casas e bairros insalubres e mal construídos.

11) Igualdade de direito de herança para os filhos legítimos e os naturais.

12) Concentração de todos os meios de transporte nas mãos da nação.

Finalmente, quando todo o capital, toda a produção e todo o câmbio estiverem concentrados nas mãos da nação, a propriedade privada deixará de existir por si só, o dinheiro tornar-se-á supérfluo, a produção aumentará e os homens mudarão tanto que se poderão suprimir também as últimas formas de relações da velha sociedade. (...)

A revolução comunista não será uma revolução puramente nacional, mas ocorrerá simultaneamente em todos os países civilizados, quer dizer, pelo menos na Inglaterra, na América, na França e na Alemanha. (...) É uma revolução universal e terá, portanto, um âmbito universal. (...)

As crises desaparecerão. (...)

(...) Supressão da propriedade privada e educação das crianças pela sociedade, com que se destroem as duas bases do matrimónio atual ligadas à propriedade privada: a dependência da mulher em relação ao homem e a dependência dos filhos em relação aos pais.»

(F. Engels, Princípios do Comunismo)

«Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se pode imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões, meios autoritários como poucos; e o partido vitorioso, se não quer ser combatido em vão, deve manter o seu poder pelo medo que as suas armas inspiram aos reacionários.»

(F. Engels, Sobre a Autoridade)

«Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, (...) o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. (...)

A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.

(...) A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.

(...) A tarefa imediatada da filosofia, que está ao serviço da história, é desmascarar a autoalienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política.»

(Karl Marx, Crítica da filosofia do direito de Hegel)

«É na prática que o homem tem de demonstrar a verdade, isto é, a realidade, e a força, o caráter terreno do seu pensamento. (...)

As circunstâncias são modificadas precisamente pelos homens e (...) o próprio educador precisa de ser educado. (...)

Mas a essência humana não é algo abstrato, interior a cada indivíduo isolado. É, em sua realidade, o conjunto das relações sociais. (...)

A vida social é essencialmente prática. (...)

Os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo de forma diferente; trata-se, porém, de modificá-lo.»

(Karl Marx, Teses sobre Feuerbach)

«Como se resolve uma antítese? Tornando-a impossível. E como se torna impossível uma antítese religiosa? Abolindo a religião. (...) A ciência será, então, a sua unidade. E, no plano científico, a própria ciência encarrega-se de resolver as antíteses. (...)

(...) O homem liberta-se por meio do Estado. (...) O Estado é o mediador entre o homem e a sua liberdade.»

(Karl Marx, A questão judaica)


Sociedade Fabiana

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Sociedade Fabiana

(Socialismo fabiano)


«Remodelar mais perto do desejo do coração».

«Rezai fervorosamente [ao socialismo], martelai vigorosamente [o mundo]».

(Frases escritas no vitral da sede da Sociedade Fabiana, em Londres)


Organização socialista britânica, fundada no ano de 1884 por Sydney Webb, Beatrice Webb, H. G. Wells, George Bernard Shaw, Margaret Sanger, Graham Wallas, Bertrand Russell, Edward R. Pease, Arnold Toynbee, etc., no seguimento das teorias coletivistas de John Ruskin.

É formada por intelectuais, escritores, cientistas e políticos. Estes negam a necessidade da revolução violenta de Karl Marx. Defendem que a via para o socialismo deve ser lenta, através de pequenas reformas e de mudanças na sociedade (engenharia social). Segundo eles, o socialismo deve ser implantado por meio de programas de educação e de propagação da ideologia. Difundem as suas ideias por meio de panfletos, periódicos, livros, conferências, cursos, grupos de discussão, reuniões, palestras, etc..

A sua estratégia essencial é a de infiltrar os seus agentes nos centros de poder, a fim de controlar e dominar a sociedade (partidos políticos, grandes fundações, comunicação social, instituições educativas, organizações cívicas, instituições financeiras, empresas industriais, sindicatos, organizações eclesiásticas, etc.), com vista ao gradual estabelecimento de um Governo mundial baseado no modelo coletivista e de uma nova ordem mundial.

O seu emblema é a tartaruga (pela lentidão em chegar ao destino). O seu escudo oficial contém a imagem de um lobo com pele de cordeiro.

A ação do socialismo fabiano inclui a organização do Partido Trabalhista, a Internacional Socialista, as Nações Unidas (ONU), a criação de uma sociedade secreta por Cecil Rhodes, o Conselho das Relações Exteriores (CFR), a Faculdade de Economia e Ciência Política de Londres (London School of Economics and Political Science), etc..

Afirmações significativas

«Um socialismo democrático, controlado por maioria de votos, guiado por números, nunca pode ter sucesso; um socialismo verdadeiramente aristocrático, controlado pelo dever, guiado pela sabedoria, é o próximo passo para cima na civilização.»

(Annie Besant, membro da Sociedade Fabiana)

Governo mundial (uma nova «religião mundial»)

«O objetivo final dos partidos da Internacional Socialista é nada menos que o Governo mundial. Como um primeiro passo em direção a ele, eles procuram fortalecer as Nações Unidas.»

(O mundo de hoje: a perspetiva socialista, Declaração da Conferência de Oslo da Internacional Socialista, 2-4/6/1962)

«Para nós, o Governo mundial é o objetivo final — e as Nações Unidas são o instrumento escolhido pelo qual o mundo se pode afastar da anarquia do poder político rumo à criação de uma comunidade genuinamente global e ao império da lei.»

(A Nova Grã-Bretanha, Manifesto Eleitoral de 1964 do Partido Trabalhista)

«O caráter da conspiração aberta agora será claramente demonstrado. Ela tornar-se-á um grande movimento mundial, tão disseminado e evidente quanto o socialismo e o comunismo. Tomará o lugar desses movimentos quase completamente. Será algo mais: será uma religião mundial. Essa grande e ampla massa assimiladora de grupos e sociedades estará definitiva e obviamente tentando engolir toda a população do mundo e tornar-se-á a nova comunidade humana.»

(H. G. Wells, Conspiração aberta: Modelos para uma revolução mundial)

«O nosso verdadeiro Estado, o Estado que já começa a existir, o Estado a que todos os homens e cada homem devem dar o seu supremo esforço político, deve ser agora esse nascente Estado Universal Federal para que apontam as necessidades humanas.»

(H. G. Wells, História Universal, vol. III)

Controlo populacional

«Não quero dizer que o controlo de natalidade seja a única maneira pela qual a população pode ser contida. Existem outras, as quais, devemos supor, os oponentes do controlo de natalidade prefeririam. A guerra, como disse há pouco, tem até agora sido dececionante nesta questão, mas talvez a guerra bacteriológica possa provar ser mais eficaz. Se uma peste negra se pudesse espalhar pelo mundo uma vez a cada geração, então os sobreviventes poderiam procriar livremente sem encher demais o mundo. Não há nada nisto que ofenda as consciências dos devotos ou que restrinja as ambições dos nacionalistas. O estado de coisas pode ser um pouco desagradável, mas, e daí? As pessoas de mente elevada são indiferentes à felicidade, especialmente à felicidade dos outros. (…)

A necessidade de um Governo mundial, se quisermos resolver o problema da população de uma forma humana, é completamente evidente com base nos princípios darwinistas.»

(Bertrand Russell, O impacto da ciência na história)

«Acredito que, devido à insensatez humana, um Governo mundial será estabelecido apenas pela força e será, portanto, cruel e despótico no início. Mas, acredito que isso seja necessário para a preservação de uma civilização científica e que, se realizado, gradualmente dará lugar a outras condições toleráveis de existência.

(…) A fisiologia descobrirá, com o tempo, maneiras de controlar as emoções, do que é difícil de duvidar. Quando esse dia chegar, teremos as emoções desejadas pelos nossos líderes, e o principal objetivo da educação fundamental será produzir a disposição desejada... O homem que administrar esse sistema terá um poder muito além dos sonhos dos jesuítas...»

(Bertrand Russell, O futuro da ciência)

«As ideias fundamentais do comunismo não são de forma alguma impraticáveis, e contribuiriam muito, se realizadas, para o bem-estar da humanidade.»

(Bertrand Russell, A prática e a teoria do bolchevismo)

Defesa do abate das pessoas não suficientemente produtivas

«Vocês devem todos conhecer meia dúzia de pessoas, pelo menos, que não servem neste mundo, que são mais um problema do que aquilo que valem.

Basta colocá-los lá e dizer: 'Senhor, ou senhora, agora vai ser bom o suficiente para justificar a sua existência? Se não pode justificar a sua existência, se não está a puxar o seu peso no barco social, se não está a produzir tanto quanto consome, ou talvez um pouco mais, então, claramente, não podemos usar as organizações da nossa sociedade com o objetivo de o manter vivo, porque a sua vida não nos beneficia e não pode ser de muito uso para si mesmo.'»

(George Bernard Shaw, in A História Soviética, documentário de Edvins Šnore)

«Apelo aos químicos para que descubram um gaz humano que mate instantaneamente e sem dor. Mortal em todo o sentido, mas humanamente, não cruel.»

(George Bernard Shaw, in Listener, 7/2/1934)


Ver vitral da Sociedade Fabiana

Socialismo real

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Socialismo real

(Socialismo aplicado na prática)

A Comuna de Paris (26/3/1871 - 28/5/1871) é considerada o primeiro Governo de socialismo real. Foi o resultado da resistência popular à capitulação da Assembleia Nacional Francesa perante a Prússia. Acabou por ser derrotada, de forma sangrenta, causando cerca de 80 000 mortos e 40 000 prisioneiros.


1.

Marxismo-leninismo

(Marx - Lenin(e))

  • Regime de partido único;
  • Esse regime autodesigna-se de «república socialista», «república democrática», «república popular»…

Ex.: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Coreia do Norte, China, Cuba, Vietname, Laos, Angola, Moçambique, etc..


Alguns marxistas-leninistas famosos

Vladimir Ilitch Lenin (Lenine) (22/4/1870 - 21/1/1924), nascido Vladimir Ilyitch Uliánov.

Líder da Revolução Russa de 1917 (Revolução de Outubro), que implantou a primeira ditadura socialista estatal.

Algumas ideias:

O socialismo é um capitalismo de Estado.

Projeção: «Critica-os do que tu és; acusa-os do que tu fazes!»

«É preciso sonhar, mas com a condição de acreditar no nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com o nosso sonho, de realizar escrupulosamente as nossas fantasias. Sonhos, acredite neles.»

Os «Dez Mandamentos» de Lenin(e), escritos em 1913, apresentando táticas para a tomada do poder

«1. Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual.

2. Infiltre e depois controle todos os meios de comunicação social.

3. Divida a população em grupos antagónicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais.

4. Destrua a confiança do povo nos seus líderes.

5. Fale sempre de democracia e de Estado de Direito, mas, logo que haja oportunidade, assuma o poder sem nenhum escrúpulo.

6. Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do país, especialmente no exterior, e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação.

7. Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do país.

8. Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não os coíbam.

9. Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Os nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de os expor ao ridículo, a votar somente no que for do interesse da causa socialista.

10. Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa.»

Nota: Um documento, intitulado Regras da revolução, capturado em Dusseldorf após a Segunda Guerra Mundial, diz o seguinte:

«1. Corrompa os jovens, torne-os interessados em sexo, tire-os da religião. Torne-os superficiais e debilitados.

2. Divida as pessoas em grupos hostis; insista constantemente em questões controversas de nenhuma importância.

3. Destrua a fé do povo nos seus líderes nacionais, mantendo-se o último para o ridículo, desprezo e vergonha.

4. Pregue sempre a democracia, mas tome o poder tão rápido e tão cruelmente quanto possível.

5. Ao incentivar extravagâncias do Governo, destrua o crédito dele, produza anos de inflação com o aumento dos preços e o descontentamento geral.

6. Incite greves desnecessárias em indústrias vitais, encoraje distúrbios civis e fomente uma atitude branda e mole por parte do Governo para tais distúrbios.

7. Provoque o colapso das velhas virtudes morais: a honestidade, a sobriedade, a autocontenção, a fé na palavra empenhada».


Josef Vissarionovitch Stalin (18/12/1878 - 5/3/1953), nascido Iossif Vissarionovitch Dzhugashvili (Djugashvili).

Sucessor de Lenine.

Grande referência do terror governativo.

Percurso pessoal:

1. Aluno mal comportado;

2. Assaltante;

3. Terrível ditador.


Mao Zedong (Mao Tsé-Tung) (26/12/1893 - 9/9/1976).

Liderou a Revolução Chinesa e foi o fundador da República Popular da China.

Era intitulado de «O Grande Timoneiro».

Foi o maior assassino da História e a sua ideologia é conhecida como «maoismo».

- Reforma Agrária, Grande Salto em Frente e Revolução Cultural.

Revolução Cultural - Usando jovens e adolescentes, «os guardas vermelhos», destruiu quase toda a cultura tradicional chinesa, «o velho pensamento, a velha cultura, as velhas vestimentas e os velhos costumes».

Algumas afirmações de Mao Zedong (Mao Tsé-Tung)

«No meu ponto de vista, seria preciso unificar o mundo (...). No passado, muitas pessoas, especialmente os mongóis, os romanos, (...) Alexandre Magno, Napoleão e o império britânico tentaram fazê-lo. Nos nossos dias, os Estados Unidos e a União Soviética quereriam os dois consegui-lo. Hitler queria unificar o mundo (...). Mas, todos fracassaram. Entretanto, parece-me que há uma possibilidade que não desapareceu (...). No meu ponto de vista, podemos ainda unificar o mundo.»

«Nós estamos dispostos a sacrificar 300 milhões de chineses pela vitória da revolução mundial.»

«A morte é verdadeiramente uma causa de regozijo (...). Dado que nós acreditamos na dialética, não podemos ver nela senão um benefício.»

(In Jung Chang e Jon Halliday, Mao, Gallimard, Paris)


Ernesto Rafael Guevara de la Serna, conhecido como «Che» Guevara (14/6/1928 - 9/10/1967).

Foi um dos ideólogos e comandantes que lideraram a Revolução Cubana (1953-1959).

Guerrilheiro e criador de campos coletivos de trabalho forçado.

Algumas afirmações famosas de «Che» Guevara

«Fuzilamentos, sim! Temos fuzilado. Fuzilamos e continuaremos fuzilando enquanto for necessário! A nossa luta é uma luta à morte.» (Discurso na ONU, 11/12/1964.)

«Odeio a civilização.»

«Os meus amigos são amigos enquanto pensarem politicamente como eu.»

«Deixe dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem esta qualidade. Quiçá seja um dos grandes dramas do dirigente; este deve unir a um espírito apaixonado uma mente fria e tomar decisões dolorosas sem que se contraia um músculo. (...) Nessas condições, há que se ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido de justiça e de verdade para não cair em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, em isolamento das massas. Todos os dias é preciso lutar para que esse amor à humanidade vivente se transforme em factos concretos, em atos que sirvam de exemplo, de mobilização.»

(«Che» Guevara, O socialismo e o homem em Cuba)

«O ódio como fator de luta; o ódio intransigente ao inimigo, que impulsa para além das limitações naturais do ser humano e que o converte numa efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar. Os nossos soldados têm de ser assim; um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.»

(Mensagem à Tricontinental)


Outros marxistas-leninistas famosos

Kim Il-Sung (15/4/1912 - 8/7/1994), «Grande Líder» e «Presidente Eterno» da Coreia do Norte;

Fidel Alejandro Castro Ruz (13/8/1926 - 25/11/2016), primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976 - 2008);

Saloth Sar, conhecido como Pol Pot ou Minh Hai (19/5/1928 - 15/4/1998), revolucionário que liderou o Khmer Vermelho, responsável pelo genocídio do Camboja;

Enver Halil Hoxha (16/10/1908 - 11/4/1985), líder da Albânia do fim da Segunda Guerra Mundial até à sua morte;

Etc..


Aspetos mais significativos do socialismo real (1)

«URSS — 20 milhões de mortos;

China — 65 milhões de mortos;

Vietname — 1 milhão de mortos;

Coreia do Norte — 2 milhões de mortos;

Camboja — 2 milhões de mortos;

Leste Europeu — 1 milhão de mortos;

América Latina — 150.000 mortos;

África — 1,7 milhão de mortos;

Afeganistão — 1,5 milhão de mortos;

Movimento comunista internacional e partidos comunistas fora do poder — uma dezena de milhões de mortos.

O total aproxima-se da faixa dos cem milhões de mortos

(O Livro Negro do Comunismo - Crimes, Terror e Repressão)


Aspetos mais significativos do socialismo real (2)


Aspetos mais significativos do socialismo real (3)


Nacional-Socialismo (Nazismo)

2.

Nacional-Socialismo (Nazismo)


Adolf Hitler (20/4/1889 - 30/4/1945).

Líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazi).

Responsável pela morte de cerca de 6 milhões de pessoas e um dos grandes causadores da Segunda Guerra Mundial (que matou cerca de 70 milhões de pessoas).


Fascismo

Benito Amilcare Andrea Mussolini (29/7/1883 - 28/4/1945).

Fervoroso socialista que liderou o Partido Nacional Fascista.

Lema do fascismo:

«Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado».


Socialismo árabe, africano, latino-americano…

Os muçulmanos, tal como os cristãos, são contra o socialismo. Mas há uma tentativa de combinar o socialismo com a religião muçulmana: o Partido Socialista Árabe Ba'ath.

Alguns socialistas árabes famosos:

  • Saddam Hussein (Iraque);
  • Bashar al-Assad (Síria);
  • Etc..

Outras correntes de socialismo árabe:

  • Muammar al-Gaddafi (Líbia);
  • Etc..

O socialismo está amplamente difundido pela África e pela América Latina, quer como regime de partido único, pelo menos na prática (Angola, Moçambique, Cuba, Venezuela, etc.), quer como tendência aparentemente crescente.