10/09/2013

Revolução cultural

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Revolução cultural

«Via pacífica para o socialismo»

1. Os proletários não fizeram a revolução mundial para implantar a «ditadura do proletariado». As previsões de Karl Marx não se concretizaram.

2. A revolução teve lugar na Rússia, a partir de 1917, espalhando-se por outros países; mas vários intelectuais marxistas entenderam que não era uma boa estratégia fazer uma revolução violenta.

A própria União Soviética adotou a estratégia da subversão ideológica e da acumulação de forças para dominar outros países.

A Rússia espalhou os seus erros pelo mundo!


Subversão ideológica = Guerra psicológica = Medidas ativas

Excertos de uma entrevista com Yuri Alexandrovitch Bezmenov, um ex-agente do KGB que desertou, arriscando a vida

Yuri Bezmenov - «O que significa, basicamente, é mudar a perceção da realidade (...), a tal ponto em que, apesar da abundância de informação, ninguém é capaz de chegar a conclusões razoáveis no interesse de se defender a si mesmo, às suas famílias, à sua comunidade e ao seu país. É um grande processo de lavagem cerebral, que anda bem devagar. (...)

Noutras palavras, ideologia marxista-leninista vai sendo injetada nas cabeças moles de pelo menos 3 gerações de estudantes (...), sem ser contestada ou contrabalançada pelos valores básicos do (...) patriotismo (...)

A maioria das pessoas que se formaram nos anos 60, desistentes ou intelectuais de miolo mole, está agora a ocupar as posições de poder no Governo, funcionalismo, negócios, comunicação social, sistema educativo. (...) Eles estão contaminados, estão programados para pensar e reagir a certos estímulos, a um certo padrão. Você não consegue mudar as ideias deles, mesmo se os expuser a informação autêntica; mesmo que prove que branco é branco e preto é preto, não consegue mudar a perceção básica e a lógica de comportamento. (...) [Com] essa gente, o processo de desmoralização é completo e irreversível. Para livrar a sociedade dessa gente, precisa de outros 20 ou 15 anos para educar uma nova geração de gente de mente patriótica e bom senso que agiria em favor de e pelos interesses da sociedade (...).»


Excertos de uma palestra de Yuri Alexandrovitch Bezmenov (Tomas Schuman)

Excertos de uma palestra de Yuri Alexandrovitch Bezmenov (Tomas Schuman) (1939 - 1993), proferida na Summit University, em Los Angeles, Califórnia, em 1983

«Subversão, na terminologia soviética, significa sempre uma atividade distratora e agressiva, visando destruir o país, nação ou área geográfica do seu inimigo. (...)

Subversor é um estudante que vem para intercâmbio, um diplomata, um ator, um artista, um jornalista… [= um idiota útil] (...)

A subversão só pode ser bem sucedida quando o iniciador, o ator, o agente da subversão, tem um alvo que responde. (...)

O primeiro ser humano que formulou as táticas de subversão foi um filósofo chinês chamado Sun Tzu (500 a. C.). (...) E ele disse (...) que, para implementar política estatal (...), é mais contraprodutivo, bárbaro e ineficiente lutar num campo de batalha. (...)

A mais alta arte da guerra é não chegar a lutar; mas subverter qualquer coisa de valor no país do seu inimigo, até ao momento em que a perceção da realidade do seu inimigo deteriora a ponto de ele não o perceber a si como um inimigo e em que o seu sistema, a sua civilização e as suas ambições parecem ao seu inimigo uma alternativa se não desejável, então ao menos factível. (...)

O básico da subversão está sendo ensinado a todo o aluno da escola do KGB, na União Soviética, e a oficiais de academias militares. (...)

O que é subversão?

Basicamente, consiste em 4 períodos, temporalmente.»

I. DESMORALIZAÇÃO;

II. DESESTABILIZAÇÃO;

III. CRISE

(Guerra civil ou invasão)

IV. NORMALIZAÇÃO.

I. DESMORALIZAÇÃO

«Leva (digamos) de 15 a 20 anos para desmoralizar uma sociedade. (...) Esse é o tempo suficiente para educar uma geração de estudantes ou crianças. (...) Um tempo de vida de uma pessoa, de um ser humano, que é dedicado a estudar, a formar a mentalidade, ideologia, personalidade. (...)

Inclui: Influenciar, ou (por vários métodos) infiltração, métodos de propaganda, contactos diretos (...), várias áreas onde a opinião pública é formada ou moldada. (...)

Há, obviamente, em toda a sociedade, pessoas que são contra a sociedade. Podem ser criminosos comuns, em discordância da política estatal; inimigos declarados; simples personalidades psicóticas que são contra tudo... E, finalmente, há o pequeno grupo de agentes de uma nação estrangeira, comprados, subvertidos, recrutados. No momento em que todos estes movimentos estiverem direcionados numa direção, esta é a hora de agarrar este movimento e continuá-lo até que o movimento force a sociedade inteira ao colapso, à crise. (...) Não paramos um inimigo; deixamo-lo ir, ajudamo-lo a ir na direção em que nós queremos que eles vão.

Então, na etapa de desmoralização, obviamente há tendências em cada sociedade, em cada país, que estão indo na direção oposta aos princípios e valores morais básicos. Tirar vantagem destes movimentos, faturar em cima deles é o maior propósito do originador da subversão.»

I. DESMORALIZAÇÃO

1. Religião;

2. Educação;

3. Vida social;

4. Estrutura de poder;

5. Relações de trabalho — sindicatos;

6. Lei e ordem.

«Estas são as áreas de aplicação da subversão. (...)

1. Religião - Destrua-a. Ridicularize-a. Substitua-a por várias seitas, cultos, que levam a atenção das pessoas, a fé (seja ela ingénua, primitiva... não importa muito), desde que o dogma religioso basicamente aceite seja erodido devagar e levado para longe do propósito supremo da religião — [que é] manter as pessoas em contacto com o Ser Supremo. (...) Logo, substitua as organizações religiosas aceites, respeitadas, por organizações falsas. Distraia a atenção das pessoas da fé real e atraia-as a várias fés diferentes.

2. Educação - Distraia-os de aprender algo que seja construtivo, pragmático, eficiente. Em vez de matemática, física, línguas estrangeiras, química…, ensine-lhes a história do conflito urbano, comida natural, economia doméstica, a sua sexualidade…, qualquer coisa, desde que afaste.

3. Vida social - Substitua as instituições e organizações tradicionalmente estabelecidas por instituições falsas. Tire a iniciativa às pessoas. Tire a responsabilidade às ligações naturalmente estabelecidas entre indivíduos, grupos de indivíduos e a sociedade como um todo e substitua-as por órgãos artificialmente e burocraticamente controlados. Em vez de vida social e amizade entre vizinhos, estabeleça instituições de assistentes sociais — pessoas que estão na folha de pagamento de quem? Sociedade? Não: Burocracia! (...) Para longe dos elos naturais.

4. Estrutura de poder - Os órgãos naturais de administração que tradicionalmente são eleitos pelo povo em geral ou indicados pelos líderes eleitos da sociedade são substituídos ativamente por órgãos artificiais: órgãos de pessoas, grupos de pessoas que ninguém elegeu jamais! (...)

Um destes grupos é a comunicação social. Quem os elegeu? Como podem eles ter tanto poder, poder quase monopolista sobre a sua mente?! Eles podem violentar a sua mente! (...) Eles têm ousadia de dizer o que é bom ou mau para o Presidente — eleito por vocês — e para o seu Governo. (...) Não há mais concorrência. Estrutura de poder é lentamente erodida pelos órgãos e grupos de pessoas que não têm nem qualificação, nem a vontade do povo para mantê-los no poder, e ainda assim eles têm poder. (...)

6. Fiscalização, lei e ordem - A organização está sendo erodida. (...) Se virem os filmes antigos e os filmes novos, verão que, nos filmes novos, um polícia, um oficial do exército americano, parece burro, raivoso, psicótico, paranoico. E o criminoso parece porreiro; (...) fuma maconha e injeta qualquer droga; mas, basicamente, é um ser humano bonzinho. É criativo. E é improdutivo só porque a sociedade o oprime; enquanto um general do Pentágono é sempre, por definição, um burro, um maníaco guerreiro. O polícia é um porco, um polícia rude, abusa do poder... (...) O ódio, a desconfiança para com as pessoas que vos devem proteger e fazem cumprir a lei e a ordem. Relativismo moral! (...)

Uma substituição lenta dos princípios morais básicos, em que um criminoso não é bem um criminoso: é um réu. Mesmo que a sua culpa esteja provada, há ainda uma dúvida. (...)

5. Relações trabalhistas - Nesta etapa, dentro de 15 a 20 anos, destruímos os elos tradicionalmente estabelecidos de negociação entre patrão e empregado. (...) É a morte da troca natural, a morte da negociação natural.

Os sindicatos foram estabelecidos há cem anos atrás. O objetivo era melhorar as condições de trabalho e proteger os direitos dos trabalhadores daqueles patrões que estavam a abusar do seu direito porque tinham mais dinheiro. Objetivamente, naquela época, inicialmente o movimento dos sindicatos funcionou de facto. O que vemos agora é que o processo de negociação não está mais a resultar no acordo que leva diretamente à melhoria de condições de trabalho e aumento de salário. O que vemos é que, após cada greve prolongada, os trabalhadores perdem (...), não conseguem recuperar por causa da inflação e do tempo perdido. Mais que isso: Milhões de pessoas sofrem com aquela greve, porque agora a economia é interdependente, está entrelaçada como um único corpo. (...) Quem ganhou com isto? Os líderes do sindicato. Qual é o motivo da greve? (...) IDEOLOGIA! Para mostrar a esses capitalistas! (...)

Sempre que um sindicato entra em greve, temos um influxo de propaganda, meios de comunicação social, disseminação ideológica: 'O direito dos trabalhadores'! (...) Direito de quem? Dos trabalhadores? Não! A única liberdade do trabalhador (...) é-lhe tirada (...) pelo chefe do sindicato. É dado poder ilimitado, responsabilidade... (...)

Fui forçado a acreditar pela comunicação social, pelas empresas, por agências publicitárias que preciso de mais e mais e mais! Já viram alguma publicidade na TV para consumir menos? Não! De modo nenhum! (...)

Atolávamos editoras, organizações estudantis, grupos religiosos, com literatura de luta de classes, se não diretamente com propaganda marxista-leninista, então propaganda de aspirações legítimas da classe operária: melhoria de vida, igualdade... (...)

Construímos a nossa sociedade sobre o princípio de igualdade. Vocês dizem: 'As pessoas são iguais'. Sabem que é falso, é uma mentira! (...) Se as fazemos iguais à força, se colocarmos o princípio da igualdade na base da nossa estrutura sociopolítica, é o mesmo que construir uma casa na areia. Cedo ou tarde, ela vai desmoronar; e é exatamente o que acontece. (...) Mas sabemos perfeitamente bem que, mesmo com as melhores intenções, as pessoas não poderiam ser iguais. (...) E o sistema de propaganda soviética ajuda-nos a acreditar que igualdade é algo desejável. (...) E a igualdade absoluta existe na União Soviética. 'Igualdade': Toda a gente está igualmente na lama, exceto algumas pessoas que são mais iguais que as outras, no Politburo.

Então, no momento em que vocês levam um país ao ponto de quase total desmoralização, em que nada funciona mais, quando não têm a certeza do que é certo ou errado, bom ou mau, quando não há divisão entre o bem e o mal, (...) o próximo passo é desestabilização.»

II. DESESTABILIZAÇÃO

«Desestabilizar todas as relações, todas as instituições e organizações aceites no país do seu inimigo.

(...) Então, a área de aplicação aqui estreita-se para»:

1. Economia — relações trabalhistas;

2. Lei e ordem e militares;

3. Comunicação social, «mas um pouco diferente. (...)

1. Economia - A radicalização do processo de negociação. (...) Na etapa de desestabilização, não chegamos a um acordo nem dentro de uma família. O marido e a mulher não poderiam descobrir o que é melhor. (...) É impossível chegar a um acordo (...) construtivo entre vizinhos. (...) Eles não entram em acordo: Vão para um tribunal ou coisa assim.

Radicalização de relações humanas, sem mais acordo. Luta, luta, luta! (...) As relações entre professores e alunos em escolas e universidades: luta! As relações, na esfera económica, entre empregados e patrões são mais radicalizadas: Não há mais aceitação da legitimidade das exigências dos trabalhadores. (...) Quanto mais difícil a luta, melhor, mais heroicos eles parecem. (...) Os embates violentos entre passageiros, piquetes e os grevistas são apresentados como algo normal. (...) Radicalização, militarização, às vezes (...).

2. Lei e ordem - Também é empurrada para áreas em que as pessoas antes resolviam as suas diferenças pacificamente e legitimamente. Agora, estamos a ficar com esses casos judiciais nos casos mais irrelevantes. Não podemos mais resolver os nossos problemas. A sociedade como um todo fica cada vez mais antagónica entre indivíduos, grupos de indivíduos e a sociedade como um todo.

3. A comunicação social coloca-se em oposição à sociedade em geral, como um todo, separada, alienada.

(...) Os adormecidos acordam! (...) Agem proeminentemente. Incluem-se ativamente no processo político. De repente, vemos um homossexual... (...) Exige reconhecimento, respeito, direitos humanos, e junta um grande grupo de pessoas. (...) E há choques violentos entre ele e a polícia, o grupo dele e pessoas comuns. (...) Não importa onde está a linha divisória, desde que este grupo entre em choque antagónico, às vezes militarmente, às vezes com armas de fogo. (...)

Os adormecidos (...) tornam-se líderes do processo de desestabilização. (...) A pessoa que toma conta já está aqui! É um cidadão respeitado (...). Às vezes, recebe dinheiro de várias fundações para a sua luta legítima a favor de (sei lá!) direitos humanos, direito das mulheres, (...) seja o que for.»

III. CRISE

«O processo de desestabilização, normalmente, leva diretamente ao processo de crise. (...) O processo começa quando os órgãos legítimos de poder, a estrutura social, desmoronam, não podem funcionar mais. E então nós temos órgãos artificiais injetados na sociedade; tais como comités não eleitos (...); assistentes sociais, que não são eleitos pelo povo; comunicação social, que são os senhores autoinvestidos da sua opinião; alguns grupos estranhos, que alegam que sabem como guiar a sociedade para a frente. Em geral, não sabem. Tudo o que eles querem saber é como coletar doações e vender a sua própria ideologia misturada, misto de religião e ideologia. Aqui, temos todos estes órgãos artificiais exigindo poder. Se o poder lhes é negado, tomam-no à força. (...)

A crise é quando a sociedade não pode mais funcionar produtivamente: desmorona. (...) Portanto, a população como um todo anda a procurar um salvador. (...) Os trabalhadores dizem: 'Temos família para alimentar! Vamos ter um Governo forte, talvez um Governo socialista, centralizado, onde alguém coloque os patrões nos seus lugares e nos deixe trabalhar! Estamos cansados de greve e de perder horas extra e todas essas coisas. (...) Um líder, um salvador, é necessário.' A população já está irritada e cansada. (...)

Ou uma nação estrangeira vem; ou o grupo local de esquerdistas, marxistas... não importa como eles se chamam (...). Vem um salvador e diz: 'Eu guiar-vos-ei!'

Então, nós temos duas alternativas aqui: guerra civil e invasão.»

IV. NORMALIZAÇÃO [= ditadura]

«'O país está normalizado.' (...) Normal. Normalização.

Nesta etapa, os governantes autoinvestidos da sociedade não precisam de mais nenhuma revolução, não precisam de mais nenhum radicalismo. Então, este é o reverso da desestabilização; basicamente, é estabilizar o país à força.

Então, todos os adormecidos, e ativistas, e assistentes sociais, e 'liberais', e homossexuais, e professores, e marxistas, e leninistas… são eliminados; fisicamente, às vezes. Já fizeram o serviço deles. Não são mais necessários. Os novos governantes precisam de estabilidade para explorar a nação, para explorar o país, tirar vantagens da vitória.

Então, chega de revolucionários, (...) chega de revoluções, por favor! Normalização, agora. De agora em diante, chega de greves, chega de homossexuais, (...). Ponto final! Boa e sólida liberdade proletária democrática!... E pronto.»

(Yuri Alexandrovitch Bezmenov)


O movimento de uma sociedade aberta para uma [sociedade] fechada

  • Sociedade aberta;
  • Igualitarismo;
  • Subida de expectativas;
  • Aspirações vs. realidade;
  • Descontentamento;
  • Redução de produtividade;
  • Inflação e desemprego = recessão;
  • Inquietação social;
  • Instabilidade;
  • Radicalismo;
  • Luta pelo poder;
  • Substituição:
    • Guerra civil, revolução e invasão;
  • Sociedade fechada [=ditadura].
O processo de subversão
Áreas Métodos Resultados
Desmoralização (15 a 20 anos)
Ideias
1. Religião Politização, comercialização, diversão Desejo de morte
2. Educação Permissivismo, relativismo Ignorância
3. Comunicação social Monopólio, manipulação, descrédito, não-assuntos Miopia desinformativa
4. Cultura Falsos heróis e modelos Modismos viciantes, massificação
Estrutura social
1. Lei e ordem Legislativa, não moral «Justiça» de desconfiança
2. Relações sociais Direitos vs. obrigações Menos responsabilidade individual
3. Segurança «Inteligência», polícia, militar Desproteção
4. Política interna Partido, antagonismos Desunião
5. Política externa «Sal», amigos Isolamento
Vida
1. Família, sociedade Rutura Nenhuma lealdade (estado)
2. Saúde Desportos, assistência médica, comida de má qualidade Massas debilitadas
3. Raça Baixar os superiores, bíblia genética vs. meio ambiente Ódio, divisão
4. População Desterro, urbanização Alienação
5. Trabalho Sindicatos vs. sociedade Vitimização
Desestabilização (2 a 5 anos)
1. Luta pelo poder Populismo, luta pelo poder irresponsável «Grande Irmão» (Big Brother)
2. Economia Destruição do processo de negociação Rendimento para o «Grande Irmão» (Big Brother)
3. Estrutura social, lei Participação popular Mobocracia
4. Política externa Isolamento, multinações e central de comunicação Prestígio, cerco beligerante
Crise (2 a 6 meses)
Normalização

Este gráfico mostra as quatro fases da subversão ideológica soviética: desmoralização, desestabilização, crise e normalização. Os métodos usados pelo subversor nas diferentes áreas ou atividade produzem os seus resultados desejados no país que não resiste ao processo de subversão.


Marxismo cultural

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e com a tomada do poder na Rússia (1917), os «intelectuais» socialistas ocidentais continuaram a tentar compreender por que motivos os proletários ainda não tinham feito a «inevitável» revolução no Ocidente.

Segundo eles, o socialismo de Marx e Engels era científico e tinha de estar certo!!

— Quem teria alienado os proletários?

Resposta encontrada por György Lukács (húngaro) e Antonio Gramsci (italiano):

— A culpada da alienação era a família «burguesa», centrada em três pilares, através dos quais a classe dominante (a burguesia) dominava o proletariado:
Moral judaico-cristã («moral burguesa») Direito romano Filosofia grega clássica

Havia, pois, que destruir estes três pilares!

«Quem nos salvará da cultura ocidental?», perguntava György Lukács em 1919.


O marxismo cultural alarga as teorias marxistas dos domínios político e económico para o domínio sociocultural.

«A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. (...) Em suma, opressores e oprimidos estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta. (...) A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado.»

(Karl Marx e F. Engels, Manifesto do Partido Comunista)

Exemplos de «luta de classes»

«Opressores»
(os que devem ser atacados)
«Oprimidos»
(os que devem ser defendidos)
Revolução
Burgueses, capitalistas Proletários Revolução política / económica / militar
Patrões Empregados Sindicalismo militante de esquerda, «justiça social»
Ricos Pobres, desfavorecidos Distributivismo, «justiça social»
Sociedade Transgressores, jovens problemáticos Vitimização do transgressor, «tolerância repressiva», «pedagogia do oprimido»
Adultos, pais, professores Crianças, filhos, alunos
Homens, maridos Mulheres, esposas Feminismo, ideologia de género
Brancos Negros, restantes raças Militância antirracista
Heterossexuais Homossexuais, LGBT Militância gay e LGBT, ideologia de género
Cultura ocidental Restantes culturas, grupos minoritários Multiculturalismo, «tolerância repressiva»
Cristianismo Restantes religiões
Ser humano Animais, natureza Direitos dos animais, proteção dos animais, movimentos ecologistas
... ... ...

Em qualquer caso, a ditadura resultante da revolução é a tirania dos «oprimidos» sobre os «opressores».


György Lukács

György Lukács (13/4/1885 - 5/6/1971).

  • História e consciência de classe (publicada em 1923) - marca o início do «marxismo ocidental».
  • Relação entre sociologia, política, filosofia e o marxismo;
  • Alienação, ideologia, falsa consciência, «reificação» e consciência de classe;
  • Foi um dos mais influentes críticos literários no século XX.

Amostra do intelectualismo esquerdista!!!

«A partir dos pontos de vista indicados aqui, não se pode dar uma tipologia histórica e sistemática dos possíveis graus da consciência de classe. Daí ser necessário, em primeiro lugar, estudar com exatidão qual o momento do processo de conjunto da produção que atinge, da maneira mais imediata e mais vital, os interesses de cada classe. E, em segundo lugar, em que medida há interesse de cada classe de se colocar acima dessa imediaticidade, de perceber o momento imediatamente importante como simples momento da totalidade, e assim superá-lo, e finalmente de que natureza é a totalidade assim atingida, em que medida é a perceção verdadeira da totalidade real da produção.»

(György Lukács, Consciência de classe)


Antonio Gramsci

Antonio Gramsci (22/1/1891 - 27/4/1937).

  • (32) Cadernos do Cárcere;
  • Cartas do Cárcere.

Ideólogo de referência da nova esquerda.

Estratégia gramsciana - Lenta destruição por dentro dos pilares da cultura ocidental (família, escola, Igreja, sindicatos, partidos políticos, Estado, economia…), até atingir a hegemonia do socialismo.

Ideias principais de Antonio Gramsci

  • Revolução cultural / guerra de posições - Modificação gradual da cultura, das tradições e dos valores do povo, mudando o modo de pensar e de agir da sociedade até esta atingir a hegemonia do socialismo;
  • Hegemonia cultural / bloco hegemónico / consenso;
  • Classe hegemónica e classe subalterna;
  • Modificação do senso comum;
  • O partido como o «moderno Príncipe»;
  • Intelectual orgânico (= ao serviço da mudança para a hegemonia) e a escola unitária (de ensinamentos intelectuais e profissionais iguais para todos, quando crianças, para todos serem filósofos).
Superestrutura Estado ampliado = Sociedade política ou Estado estrito + Sociedade civil
Infraestrutura Sociedade económica

O partido / Estado - «moderno Príncipe» e divindade da crença materialista

«Em todo o livro, Maquiavel trata de como deve ser o Príncipe para conduzir um povo à fundação do novo Estado. (...)

Neste caso se vê que se supõe detrás da espontaneidade um puro mecanicismo, detrás da liberdade (arbítrio impulso vital) um máximo de determinismo, detrás do idealismo um materialismo absoluto.

O moderno príncipe, o mito príncipe, não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto; pode ser somente um organismo, um elemento de sociedade complexo no qual já tem princípio a realização de uma vontade coletiva reconhecida e afirmada parcialmente na ação. Este organismo é dado já pelo desenvolvimento histórico e é o partido político, a primeira célula em que se agrupam gérmenes de vontade coletiva que tendem a fazer-se universais e totais. (...)

Uma parte importante do moderno Príncipe deverá ser dedicada à questão de uma reforma intelectual e moral, ou seja à questão religiosa ou de uma conceção do mundo.

(...) O moderno Príncipe deve e não pode deixar de ser o pregoeiro e organizador de uma reforma intelectual e moral, o que além disso significa criar o terreno para um ulterior desenvolvimento da vontade coletiva nacional popular até ao cumprimento de uma forma superior e total de civilização moderna. (...)

Por isso, uma reforma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um programa de reforma económica; inclusivamente o programa de reforma económica é precisamente o modo concreto em que se apresenta toda a reforma intelectual e moral.

O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, transtorna todo o sistema de relações intelectuais e morais, ao passo que o seu desenvolvimento significa precisamente que todo o ato é concebido como útil ou danoso, como virtuoso ou perverso, só enquanto tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve para incrementar o seu poder ou para obstaculizá-lo.

O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico; converte-se na base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações habituais. (...)

Questão do 'homem coletivo' ou do 'conformismo social'.

Missão educativa e formativa do Estado, que tem sempre a finalidade de criar novos e mais elevados tipos de civilização, de adequar a 'civilização' e a moralidade das massas populares mais vastas às necessidades do contínuo desenvolvimento do aparelho económico de produção, e portanto de elaborar até fisicamente tipos novos de humanidade.

Mas como conseguirá cada indivíduo isolado incorporar-se no homem coletivo, e como se produzirá a pressão educativa sobre os indivíduos obtendo o seu consenso e colaboração, fazendo que se convertam em 'liberdade' a necessidade e a coação? Questão do 'direito' (...).»

Crises

«Em determinado momento da sua vida histórica, os grupos sociais separam-se dos seus partidos tradicionais; ou seja, os partidos tradicionais naquela determinada forma organizativa, com aqueles determinados homens que os constituem, os representam e os dirigem já não são reconhecidos como sua expressão pela sua classe ou fração de classe. Quando estas crises têm lugar, a situação imediata torna-se delicada e perigosa, porque o campo fica aberto a soluções de força, à atividade de potências obscuras representadas pelos homens providenciais ou carismáticos. (...)

O facto de que as tropas de muitos partidos passem a colocar-se debaixo da bandeira de um partido único que melhor represente e resuma as necessidades de toda a classe é um fenómeno orgânico e normal, ainda que o seu ritmo seja rapidíssimo e quase fulminante em comparação com tempos tranquilos: representa a fusão de todo um grupo social debaixo de uma direção única considerada a única capaz de resolver um problema dominante existencial e de afastar um perigo mortal. (...)

Uma iniciativa política apropriada é sempre necessária (...) para mudar a direção política de certas forças que é necessário absorver para realizar um novo bloco histórico económico-político homogéneo, sem contradições internas.»

(Cadernos do Cárcere, Caderno 13)

«O que importa assinalar aqui é que tanto o modernismo, como o jesuitismo, como o integralismo têm significados mais vastos que não os estritamente religiosos: são 'partidos' no 'império absoluto internacional' que é a Igreja Romana e não podem evitar colocar em forma religiosa problemas que frequentemente são puramente mundanos, de 'domínio'. (...)

Como deve ser constituído o partido

Para que exista um partido, é necessário que confluam três elementos fundamentais (...):

1. Um elemento difuso, de homens comuns, médios, cuja participação é oferecida pela disciplina e pela lealdade, não pelo espírito criativo e altamente organizativo. (...)

2. O elemento coesivo principal, que centraliza no campo nacional, que faz tornar-se eficiente e potente um conjunto de forças (...). Este elemento está dotado de uma força altamente coesiva, centralizadora e disciplinadora. (...) Este elemento por si só não formaria o partido, mas formá-lo-ia mais do que o primeiro elemento considerado. (...)

3. Um elemento médio, que articule o primeiro com o segundo elemento, que os ponha em contacto não apenas 'físico' mas também moral e intelectual.»

(Cadernos do Cárcere, Caderno 14)


Teologia da Libertação

Socialismo infiltrado dentro da própria religião!!! Reinterpretação da religião numa perspetiva marxista (materialismo, exclusão do sobrenatural, tentativa de criar o «Reino de Deus» na terra, luta dos pobres contra os ricos, crítica à autoridade do Papa, etc.). Fé = superstição!

Ideia de que a Igreja tem de se modernizar (deixar de falar em pecados, penitência, Céu, Inferno, Purgatório, milagres, etc.), senão acaba!

Transformação da Igreja numa empresa de prestação de serviços, com recurso ao marketing!

(A ideologia equivalente, infiltrada dentro do protestantismo, designa-se Teologia da Missão Integral.)

A Igreja Católica condena veementemente o socialismo, incluindo a Teologia da Libertação.

«A mais antiga instituição socialista de considerável importância e extensão é a agora decrépita Igreja Católica.»

(Ensaios fabianos no socialismo)

«O maior socialista de todos os tempos foi Jesus Cristo.»

(Hugo Chávez)

«O primeiro socialista foi Cristo, para nós, para mim que sou cristão. (...) Alguém imagina Cristo capitalista? Judas, que o vendeu por umas moedas, esse é o capitalista, que vende até Cristo, até o pai e a mãe pelo dinheiro. A Cristo, crucificaram-no pelo amor à gente e ao povo, à igualdade. (...) Mais fácil será que um camelo passe pelo olho de uma agulha que um rico entre no reino dos céus. Isso é socialismo.»

(Hugo Chávez, no jornal Económico, 28/9/2009)

«Padre Fábio de Melo, o que o senhor pensa sobre o socialismo?

A proposta de Jesus é socialista, ? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica.

Sobre a TL (Teologia da Libertação)?

Também foi importante. Admiro o seu fundador, o peruano e dominicano Gustavo Gutiérrez-Merino. No Brasil, Leonardo Boff teve importância na espiritualidade desses tempos. Foi coerente ao abandonar a Igreja e concluir que estava no lugar errado. Exerceu um direito.»

(Jornal Valor, 16/1/2010)


Escola de Frankfurt

Instituto para Pesquisa Social - Foi fundado na Universidade de Frankfurt em 22 de junho de 1924. Tornou-se um anexo daquela Universidade, ligado ao Ministério da Educação alemão.

A fundação deve-se a Felix Weil, um jovem intelectual marxista, à custa do dinheiro do seu pai, Herman Weil, um rico negociante judeu.

Os intelectuais frankfurtianos eram marxistas saídos do partido (para credibilizar!), maioritariamente judeus.

Entre 1930 e 1950, os frankfurtianos tentaram adaptar a suposta «metodologia científica do marxismo» (Carl Grünberg) a todas as áreas das ciências sociais, considerando o marxismo como ciência e não como partido político!!

Com a chegada do Nacional-Socialismo de Hitler ao poder, os «idiotas úteis» frankfurtianos tiveram de abandonar a Alemanha, em 1933. Fugiram para Genebra, Paris, Nova Iorque e Hollywood.

Poucos voltaram para a Alemanha, depois de 20 anos de exílio (Horkheimer, Adorno e Pollock).

Amargurado com as ideias que tinha proclamado antes, Horkheimer acabou por renegá-las.

Ideias principais da Escola de Frankurt

  • Fusão das ideias de Karl Marx e Sigmund Freud, e por vezes de Heidegger e Nietzsche - marxismo com psicanálise e existencialismo.
    • A ideia de que não se deve reprimir os instintos na infância, senão as pessoas ficam frustradas e tornam-se «fascistas» no futuro!
    • Liberalização sexual.
  • Contestação de toda a autoridade.
  • Crítica tanto do capitalismo como do socialismo soviético.
  • «Teoria crítica» da sociedade e da cultura ocidental.
  • Posição muito pessimista sobre o desempenho da razão e sobre a evolução tecnológica.

Principais intelectuais da Escola de Frankfurt e respetivas obras

Max Horkheimer - Estudos em filosofia e ciências sociais, O colapso da razão, Dialética do Iluminismo, Teoria crítica, Estudos social-filosóficos.

Theodor W. Adorno - Dialética do Iluminismo, A personalidade autoritária, Dialética negativa, Minima moralia.

Herbert Marcuse - Razão e revolução: Hegel e a ascensão da teoria social, Eros e civilização, O marxismo soviético, O homem unidimensional, O fim da utopia.

Walter Benjamin - Quadro parisiense, A obra de arte na época da sua reprodução mecanizada, Iluminações.

Ernst Bloch - O espírito da utopia.

Franz Borkenau - O declínio da imagem feudal à imagem burguesa, O rinhadeiro e hol, O fim e o começo: sobre as gerações das culturas e origens do Ocidente.

Erich Fromm - A evolução do dogma de Cristo, O medo à liberdade, O Homem por ele mesmo, Psicanálise e religião, A revolução da esperança, A crise da psicanálise: ensaio sem Freud, Marx e a psicologia social.

Henryk Grossmann - Acumulação - a lei do colapso do sistema capitalista.

Franz Neumann - Behemoth: a estrutura e a prática do nacional-socialismo, O estado democrático e o autoritário.

Siegfried Krakauer - Os empregados na nova Alemanha, De Caligari a Hitler.

Otto Kirchheimer - Punição e estrutura social.

Friedrich Pollock - A experiência da planificação económica na União Soviética, As consequências económicas e sociais da automação.

Wilhelm Reich - Análise do Caráter, Psicologia de massas do fascismo.

Karl August Wittfogel - O despotismo oriental.

Felix Weil - Socialização, O enigma argentino.


Principais intelectuais da Escola de Frankfurt e respetivas ideias

Max Horkheimer (14/2/1895 - 7/7/1973).

  • Teoria tradicional e teoria crítica (1937) - Início da «teoria crítica» da sociedade e da cultura ocidental (contra a «teoria tradicional»). A «teoria crítica» serve para «denunciar», criticar, destruir, sem apresentar alternativas!

Walter Benjamin (15/7/1892 - 27/9/1940).

  • A obra de arte na época da sua reprodução mecanizada - Primeira grande teoria materialista da arte, segundo a qual as técnicas de reprodução das obras de arte provocam a queda da aura.
  • Suicidou-se ao atravessar os Pirinéus, com medo de ser apanhado pelos nacionais-socialistas (segundo consta).

Theodor Adorno (11/9/1903 - 6/8/1969).

  • «Indústria cultural» / «cultura de massa» - Portadora da ideologia dominante, «impede a formação de indivíduos autónomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente».
  • A personalidade autoritária - «Medição» do grau de «fascismo» de cada pessoa e facetas do autoritarismo.

Herbert Marcuse (19/7/1898 - 29/7/1979).

  • «Tolerância libertadora» - «Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita». Criação do preconceito de que tudo que o vem da esquerda é bom, e tudo o que vem da direita é mau.
  • A ideia do «politicamente correto».
  • Eros e civilização - «Faça amor, não guerra».
  • Crítica ao nacionalismo.

Revolta contra a ordem vigente e contra o trabalho

«A tolerância, que é o elemento vital, o símbolo de uma sociedade livre, nunca será o dom dos poderes constituídos; (...) nas condições habituais da tirania da maioria, só pode ser vencedora com o esforço sustentado de minorias radicais, dispostas a quebrar essa tirania e trabalhar para o surgimento de uma maioria livre e soberana — minorias intolerantes, militâncias intolerantes e desobediência às regras de comportamento que toleram a destruição e supressão.»

(Herbert Marcuse, Tolerância repressiva)

«Entretanto, a revolta nos países atrasados encontrou uma resposta nos países adiantados, onde a juventude está a protestar contra a repressão na afluência e a guerra no estrangeiro.

É revolta contra os falsos pais, falsos professores e falsos heróis — solidariedade com todos os infelizes da Terra. (...)

Um montante cada vez maior do trabalho efetivamente realizado torna-se supérfluo, dispensável, sem significado. (...)

A redução do dia de trabalho a um ponto em que a mera porção de tempo de trabalho já não paralise o desenvolvimento humano é o primeiro pré-requisito da liberdade. (...)

O homem só é livre quando está livre de coações, externas e internas, físicas e morais - quando não é reprimido pela lei nem pela necessidade. (...)

A reativação da sexualidade polimórfica e narcisista deixa de ser uma ameaça à cultura e pode levar, ela própria, à criação cultural, se o organismo existir não como um instrumento de trabalho alienado, mas como um sujeito de autorrealização — por outras palavras, se o trabalho socialmente útil for, ao mesmo tempo, a transparente satisfação de uma necessidade individual. (...)

Defesa da eutanásia e / ou do suicídio

A morte pode tornar-se um símbolo de liberdade. A necessidade de morte não refuta a possibilidade de libertação final. Tal como as outras necessidades — pode-se tornar também racional, indolor. Os homens podem morrer sem angústia se souberem que o que eles amam está protegido contra a miséria e o esquecimento. Após uma vida bem cumprida, podem chamar a si a incumbência da morte - num momento da sua própria escolha. (...)

«Explosão da ordem social vigente» com a promoção da sexualidade

A sexualidade oferece uma das mais elementares e mais fortes possibilidades de gratificação e felicidade. Se essas possibilidades fossem permitidas dentro dos limites fixados pela necessidade de desenvolvimento produtivo da personalidade, em vez da necessidade de dominação das massas, a realização dessa possibilidade fundamental de felicidade conduziria, necessariamente, a um aumento na reivindicação de felicidade e gratificação em outras esferas da existência humana. A realização dessa reivindicação requer a acessibilidade de meios materiais para a sua satisfação e deve, portanto, acarretar a explosão da ordem social vigente.»

(Herbert Marcuse, Eros e civilização)


Dois destinos diferentes…

Herbert Marcuse permaneceu nos EUA. Na década de 60 houve uma rebelião de estudantes, em grande parte pela resistência à convocação para as forças armadas e para a guerra do Vietname. Encontraram a teoria de que precisavam no livro Eros e civilização. Os EUA perderam vergonhosamente a guerra, e o Vietname tornou-se uma ditadura socialista! Marcuse, já com 70 anos, também participou na revolução estudantil de Maio de 68, em Paris.

Theodor Adorno regressou à Alemanha. Numa rebelião estudantil, alguns estudantes invadiram a sala dele, mas ele chamou a polícia para prendê-los. Personalidade autoritária!... Entretanto, foi alvo de provocação de várias alunas, o que o deixou psicologicamente muito abalado, morrendo poucos meses depois. Acabou por ser vítima das suas próprias ideias!


Jürgen Habermas (18/6/1929 - …).

  • Ética e direito baseados na opinião coletiva (influência de Kant).
  • Critica o Positivismo e, sobretudo, o progresso científico e tecnológico.
  • A tecnologia é a «ideologia» que consiste na tentativa de fazer funcionar na prática, e a qualquer custo, o saber científico e a técnica que dele possa resultar.
  • Critica o objetivismo ontológico e contemplativo da filosofia teórica tradicional.

Jacques Derrida (15/7/1930 - 8/10/2004).

  • Colaborador da Escola de Frankfurt, da qual não fazia parte diretamente.
  • Criador do «desconstrucionismo» - «O significado que o escritor buscou impor ao texto deixa de existir, já que o texto agora expressa vários significados.»
  • Argumenta que a filosofia se equivocou ao procurar a verdade na «essência das coisas». O foco deveria ser a linguagem.
  • Foi preso, em Praga, por transportar maconha!

Principais influências da Escola de Frankfurt

  • Difusão (mais ou menos sub-reptícia) de ideologia esquerdista em qualquer domínio da cultura atual (comunicação social, sistema educativo, filmes, romances, «arte contemporânea», etc.);
  • Contracultura (hippies, punks, festival de Woodstock, lema «paz e amor (bicho)», tatuagens, piercings, consumo de drogas, amor livre, etc.);
  • Manifestações estudantis (Maio de 68, Primavera de Praga, etc.) e outras;
  • Vários tipos de ativismo (ONG - Organizações Não Governamentais, feministas, proteção da natureza, direitos dos animais, etc.);
  • Contestação de todo o tipo de autoridade…
Grande produção de subversão ideológica e de «idiotas úteis»!

Marxismo Cultural hoje

Pormenor do vitral da sede da Sociedade Fabiana, mostrando Sydney Webb e George Bernard Shaw a martelarem a Terra, incandescente. Atrás, o respetivo brasão, representando um lobo com pele de cordeiro.

O socialismo continua muito atuante na política e na cultura.

O marxismo cultural, «politicamente correto», está presente em todo o lado (neopaganismo, Nova Era, etc.). Muitas vezes, assume-se como não partidário ou contra os partidos. Usa tudo quanto é subversivo, como os «excluídos» da sociedade (bandidos, jovens problemáticos, toxicodependentes, etc.), para destruir a sociedade e a cultura ocidentais.

A normalização do poder absoluto mundial vai avançando.

Até quando?